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ONP comemora 12 de Outubro pensando na qualidade de ensino

Maputo, 07 Out. (AIM) – A Organização Nacional dos Professores (ONP) aponta a questão da qualidade de ensino como o grande desafio, embora não único, pois o sector de educação se depara com uma série de outros constrangimentos como as turmas numerosas, insipiência de infra-estruturas educacionais e de material didáctico, processo de recrutamento, formação e a colocação de professores.

Na pauta reivindicativa, a agremiação aponta igualmente a questão da insuficiência de estímulos que concorram para catalisar o desempenho e a retenção dos professores no Sistema Nacional de Educação entre muitas outras razões.
As inquietações foram apresentadas hoje pelo Secretário Geral da ONP, Alípio Siquice, no encontro que o Ministro da Educação, Zeferino Martins, manteve com os representantes da agremiação, para endereçar uma saudação por ocasião da passagem do 12 de Outubro, Dia do Professor, que será comemorado em todo o país.
Na efeméride festiva da próxima terça-feira, que marca os 29 anos da ONP, comemorada sob o lema “Livros Abertos, Portas Abertas”, a ONP afirma não estar alheia a esta realidade e tem vindo a realizar uma acções visando contribuir para a elevação do profissionalismo da profissão docente e para fazer dela mais digna quanto merece.
Aliás, o lema das festividades do Dia 12 de Outubro pretende reconhecer o papel do professor e da escola como provedores da primeira e mais sustentável plataforma para a promoção humana e das sociedades na mais ampla plenitude.
Dentre as acções, Siquice destacou a criação e promoção do código de conduta para os professores em todo o país e a promoção de seminários de aprendizagem para os professores do ensino básico sem formação psico-pedagógica (ainda só na região norte do país, incluindo a província central da Zambézia).
Siquice destacou igualmente a realização de seminários de capacitação sobre o perfil do professor, direitos da criança, cidadania, combate as piores formas de trabalho infantil, entre outros assuntos.
O secretário-geral manifestou, na ocasião, o desiderato da organização em ver mantidos e melhorados os níveis de diálogo entre as estruturas do Ministério da Educação (MINED) e da ONP, bem como a nível de todos os professores e trabalhadores da educação não docentes.
O 3º Congresso da ONP/SNPM, a ter lugar em Junho de 2011, constitui espaço e momento privilegiados para o exercício desse diálogo e Siquice lançou, na ocasião, um apelo as instituições do MINED a todos os níveis para colaborar não só para o seu sucesso, mas para tornar a agremiação uma entidade de todos.
O mundo inteiro está a assinalar a semana do professor, cujo lançamento foi feito no passado dia 05 de Outubro, Dia Mundial do Docente, que este ano coincide com o 44º Aniversário da adopção, em Paris, em França, da Declaração da UNESCO e OIT sobre a condição do pessoal docente.
No país, o movimento culminará com as celebrações do 12 de Outubro, Dia do Professor Moçambicano.
A semana do professor no presente ano, no âmbito mundial, celebra-se sob o lema “A Recuperação Começa com os Professores”, adoptado pela Educação Internacional (EI), visando homenagear o professor.
O professor, segundo Siquice, se por um lado é “objecto” geralmente exposto aos desastres naturais e sociais de vária ordem (catástrofes, guerras, intimidações, pandemias, crises económicas entre outras) ao mesmo tempo é sujeito com que começa a solução das catástrofes de toda a espécie.

 

Problemática do rácio alunos por professor longe do fim
A solução da velha problemática do rácio alunos por professor nos diversos subsistemas de ensino continuará inalterável enquanto o Estado moçambicano se debater com sérias limitações orçamentais para inverter a tendência.
O Ministro da Educação, Zeferino Martins, que reconhece o reflexo da actual realidade vivida no sistema de ensino e aprendizagem moçambicanos, lamenta, porém afirma que enquanto o pelouro se debater com a falta de recursos financeiros não se pode esperar uma redução drástica como é desiderato de todos, com vista a melhorar a respectiva qualidade.
O actual rácio ronda os cerca de 67 alunos por professor e, segundo Martins, para baixar ao nível julgado razoável, que é de 30 alunos por docente, seria necessário duplicar o efectivo professoral existente actualmente no sistema de ensino (cerca de 140 mil professores e vários técnicos).
“Repare que com o rácio que temos de cerca 67 alunos por professor, para termos uma turma razoável de 30 alunos teríamos de duplicar o número de professores actualmente existente no sistema nacional de ensino, mas o país não dispõe simplesmente desses recursos e não terá nos próximos anos”, frisou o titular da pasta da educação.
Todavia, enquanto rarearem os recursos, o número de escolas de todos os tipos e níveis de ensino aumenta anualmente, situação que, sem dúvida, exige uma atitude proactiva na planificação e previsão das necessidades quer materiais quer humanas, de forma a satisfazer os anseios e expectativas daqueles cujos filhos só podem estudar em estabelecimento de ensino não isentos desta realidade.
Aliás, enquanto o sector da educação continuar a se deparar com os constrangimentos desfavoráveis ao bom ambiente como insuficiência de estímulos concorrentes à catalisar o desempenho e a retenção dos professores entre vários outros a qualidade continuará em níveis aquém do desejado.
No pacote de medidas diversificadas destinadas a corrigir a actual situação, Zeferino Martins aponta o aumento do número de professores recrutados anualmente (calculado em 12 mil), para entre 15 a 20 mil docentes, mas difícil de concretizar dadas as limitações financeiras.
O sector da educação é aquele que, por sinal, contribui com a mais alta fasquia no Aparelho Geral do Estado, isto é, 55,37 por cento dos 179.383 de acordo com 2º Anuário Estatístico dos Funcionários e Agentes do Estado.
Desta feita, Zeferino Martins disse que o ministério está a equacionar outras medidas que consistem, por exemplo, na formação dos professores para serem capazes de lidar com turmas numerosas, ajudar os docentes a organizar melhor os grupos na sala de aulas criando, por conseguinte, dinâmicas uma participação de todos os alunos no processo de ensino e aprendizagem.
A medida, segundo o titular da pasta da educação, é completamente factível porquanto há metodologias que podem ser utilizadas para que os professores lidem com turmas numerosas.

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