Mundial de futebol oportunidade para Moçambique
Maputo, 07 Fev 2007 (AIM) - A realização em 2010 do Campeonato do Mundo de Futebol na vizinha África do Sul é vista pelo Governo moçambicano como uma oportunidade para o país, que vai disponibilizar alojamento e centros de treino para as selecções interessadas.
O director nacional adjunto dos Desportos, Inácio Bernardo, adiantou que o Governo moçambicano pretende construir três ou quatro estádios modernos nas três regiões do país, de modo a atrair para estágios em Moçambique as equipas que vão participar no evento.
O principal será construído até 2009 por uma empresa chinesa no bairro do Zimpeto, nos arredores de Maputo, e terá capacidade para 42 mil pessoas. Maputo dispõe apenas de um estádio de futebol de grandes dimensões, construído durante a administração colonial portuguesa, com capacidade para 45 mil pessoas, localizado na Machava, também nos arredores da capital.
A selecção portuguesa de futebol já foi convidada pelas autoridades moçambicanas para estagiar em Moçambique, caso consiga o apuramento para a fase final do primeiro campeonato do mundo de futebol a realizar-se em África.
Além da construção de novos recintos, as autoridades desportivas do país estão a mobilizar os clubes que possuem estádios a remodelar as suas infra - estruturas, de modo a estarem aptas para acolher a preparação das selecções que participam no Campeonato do Mundo, acrescentou Inácio Bernardo, citado pela agência LUSA.
“Em princípio, levamos grandes vantagens para acolher a preparação de algumas selecções que participam no Mundial de 2010, mas temos que construir mais infra-estruturas e melhorar as que existem”, sublinhou Bernardo.
O aumento do parque hoteleiro do país, dos níveis de segurança e a melhoria das facilidades de trânsito fronteiriço, através da adesão ao plano de introdução do visto único na África Austral, são outras das medidas que o Governo pretende concretizar para que o país capitalize o potencial de oportunidades oferecidas pelo Mundial de 2010.
A África do sul tem um défice estimado de 36 mil camas para acomodar o número de visitantes que dentro de três anos se deverão deslocar ao país para assistir ao campeonato do mundo de futebol.
“Com a estratégia que concebemos (...) Moçambique estará apto a maximizar os benefícios do Mundial, quer nas vésperas do acontecimento, quer após a sua realização”, referiu Inácio Bernardo. O Governo quer também que “os moçambicanos estejam atentos ao potencial de emprego que vai ser gerado pelo Mundial de 2010”, disse.
Ciente do papel que Moçambique pode desempenhar no sucesso da organização do maior evento futebolístico do mundo, as autoridades sul-africanas têm incentivado o país vizinho a envolver-se na campanha, afirmou ainda o director nacional adjunto dos Desportos.
“O Governo sul-africano confia na capacidade de Moçambique no acolhimento de grandes eventos e por isso mesmo convidou o país a envolver-se naquilo que pode”, realçou Inácio Bernardo.
“Tudo o que investirmos para 2010 vai ter reflexo nos anos seguintes. Nunca o turismo vai ser como dantes. Vai ser cada vez melhor e vai ter maior contribuição nas contas nacionais”, sintetizou o ministro do Turismo moçambicano, Fernando Sumbana.
Moçambique e a África do Sul tem uma fronteira comum, ficando o principal ponto de travessia rodoviária, Ressano Garcia, a 78 quilómetros da capital moçambicana.
Nelspruit, a cidade sul-africana mais próxima de Moçambique, a cerca de 120 quilómetros da fronteira, será um dos palcos do Mundial de 2010.

