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Erradicação da lepra

Maputo, 08 Ago (AIM) - O Embaixador de “Boa Vontade” da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Eliminação da Lepra, Yohei Sassakawa, reiterou hoje que a erradicação da doença no mundo e, em particular, em Moçambique passa necessariamente por um compromisso político.

Sassakawa, que falava, em Maputo, durante uma conferência de imprensa por ocasião da sua visita a Moçambique, realçou que os esforços do sector de saúde devem ser complementados por um compromisso político.

“A força do sector de saúde não é suficiente para a eliminação da lepra no país”, disse Sassakawa.

Segundo ele, um dos problemas com que os países mais afectados pela doença como Moçambique, tem a ver com a falta de informação sobre as facilidades do seu tratamento.

“O medicamento para o tratamento da lepra existe no país e é gratuito”, disse ele, pedindo a comunicação social para que se envolva na educação das populações.

Moçambique é um dos quatro países africanos com elevados índices de lepra com uma média de 2,5 casos por 10.000 habitantes.

O desafio, segundo o Director Nacional da Saúde, Mouzinho Saide, é reduzir essa taxa para um caso em cada 10.000 nos próximos tempos ate atingir a meta de eliminação em 2008.

Dados avançados na ocasião apontam que, em 1976, o país contava com uma taxa de 34 casos em cada 10.000 habitantes, o que demonstra que, segundo Sassakawa, há avanços significativos no sentido de erradicação da doença.

Actualmente, Moçambique conta com 5.000 doentes em tratamento. Na ordem decrescente as províncias de Nampula, Zambézia, Cabo Delgado, Niassa (norte do país) e Manica (centro), são as mais afectadas.

No continente africano, para além de Moçambique, os países mais afectados pela doença são o Madagáscar, Tanzânia e República Democrática do Congo.

Quando-se adoptou o compromisso de eliminação da lepra existiam 43 países no mundo com elevados índices da lepra, maioritariamente em Africa.

Entretanto, para a campanha de eliminação da lepra em Moçambique, até 2008, estão disponíveis sete milhões de dólares norte-americanos, dos quais cerca de seis milhões constituem contribuições dos parceiros, com destaque para a OMS, e 1.5 milhão disponibilizados pelo governo moçambicano.

A luta pela erradicação da lepra no mundo conta com o apoio da Fundação Sassakawa e da Fundação Nipónica, que no conjunto já alocaram cerca de 200 milhões de dólares norte-americanos, mais de metade dos quais para a África.

Devido a este apoio, em África, segundo Sassakawa, foram registados sucessos nesta luta no mundo e na África em particular.

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