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Necessário valorizar medicina tradicional

Maputo, 24 Ago (AIM) - A vice-Ministra moçambicana da Saúde, Aida Libombo defendeu hoje, em Maputo, a necessidade de se valorizar e salvaguardar os conhecimentos da medicina tradicional no país.

Aida Libombo falava numa conferência de imprensa dedicada a celebração do dia da medicina tradicional africana, que se assinala no próximo dia 31 do corrente mês, sob o lema “É prioritário e urgente acelerar a colaboração entre as medicinas tradicional e convencional”.

Os chefes de Estado da União Africana (UA) declararam a década de 2001-2010 como sendo de desenvolvimento da medicina tradicional africana, como forma de valorizar e promover a sua integração no sistema de saúde, por forma a garantir serviços eficazes, seguros e de qualidade para cada cidadão.

A maior parte da população africana, em particular a moçambicana, residente na zona rural, em caso de doença, na primeira instância tem procurado o tratamento tradicional.

Tendo em conta que o acesso aos cuidados de saúde em Moçambique ainda é muito baixo, estimando-se que cerca de 50 por cento da população vive a mais de 20 quilómetros da unidade sanitária mais próxima, não resta outra solução, senão procurar o médico tradicional.

“É preciso aproveitar esse conhecimento, porque há doenças que os médicos tradicionais conseguem tratar. Por essa razão definimos três áreas estratégicas no âmbito do estreitamento da colaboração entre a medicina tradicional e a convencional, nomeadamente o HIV/SIDA, malária e doenças da infância”, disse ela.

A vice-Ministra referiu que a coordenação entre os dois tipos de medicina deve ser efectiva, uma vez que os “curandeiros” tratam as doenças mais comuns, não conseguindo resolver os casos mais complexos.

Para reduzir a taxa de mortalidade, por procura tardia dos serviços formais de saúde, Libombo considerou que o Ministério da Saúde (MISAU) tem feito esforços no sentido de sensibilizar os médicos tradicionais para não reterem por muito tempo os doentes, que apresentam um quadro complicado.

“A colaboração entre a medicina tradicional e a convencional implica respeito mútuo, uma vez que se trata de um valor que o país possui. Essa colaboração também tem que se basear na pesquisa e reconhecimento da sua importância”, acrescentou.

Este ano, o dia da medicina tradicional africana, cuja semana inicia sexta-feira, será marcado por jornadas da medicina tradicional e palestras nas escolas e universidades, culminando com deposição de flores na Praça dos Heróis Moçambicanos.

A medicina tradicional em Moçambique, tal como na maior parte dos países africanos é uma prática secular, porém, o governo moçambicano começou a dar importância a esta prática após a independência nacional, em 1975, tendo sido evidado esforços para a sua valorização.

Esta medicina é parte integrante da cultura dos povos, que com a colonização viram-na desvalorizada, o que contribuiu para a marginalização e sonegação desse conhecimento.

Em 1977 foi criado, no Ministério da Saúde, um gabinete de Estudos de Medicina tradicional e, em 1990, com apoio deste organismo, foi criada a Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO).

Em 2004 o Governo aprovou a Política da Medicina Tradicional e a estratégia para a sua implementação, na qual está prevista a sua institucionalização, advocacia, investigação, entre outras componentes.

Esta estratégia também preconiza o direito da Propriedade intelectual dos “curandeiros”, para a protecção do conhecimento médico-tradicional.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a medicina tradicional como sendo a combinação total de conhecimentos e práticas usados no diagnóstico, prevenção ou eliminação de doenças físicas, mentais ou sociais e, que, podem assentar-se, exclusivamente, em experiências passadas, bem como na observação transmitida de geração em geração por via oral ou escrita.

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