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FMI reforça ajuda ao país

O Conselho de Administração do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu, há dias, a quinta avaliação do desempenho económico de Moçambique no âmbito do acordo trienal do Instrumento de Apoio à Política Económica (PSI) e a primeira avaliação do acordo de 12 meses ao abrigo do programa de Facilidades de Protecção contra Choques Exógenos (ESF), dando nota positiva aos esforços do Governo. Com esta conclusão do ESF, Moçambique tem à sua disposição para levantamento imediato um montante equivalente a aproximadamente 22,6 milhões de dólares americanos.

Na sua avaliação, o FMI considera que depois de um prolongado período de desempenho macroeconómico vigoroso, Moçambique sofreu os efeitos adversos da crise económica mundial despoletada em Setembro de 2008 com o colapso de algumas instituições financeiras nos Estados Unidos da América e que se propagou pela Europa, Ásia e não só.

 

Não obstante tais adversidades, a economia moçambicana demonstrou, segundo aquela instituição, notável resistência, em parte graças à actuação imediata das autoridades ao aligeirar temporariamente as políticas macroeconómicas.

 

Félix Fischer, representante-residente do Fundo Monetário Internacional em Moçambique, considera que devido a esta crise, o crescimento que havia registado a média de 7,5 porcento nos últimos três anos, deve baixar para 4,5 porcento em 2009. Explica que a implementação das políticas não perdeu o ritmo, mantendo-se basicamente alinhada com o previsto no programa.

 

Acrescentou que a maioria das metas quantitativas essenciais para o final de Junho de 2009 foram cumpridas – não obstante o crédito líquido ao Governo e o crescimento da base monetária terem superado as previsões. Mesmo assim, foram alcançados bons progressos na implementação das reformas estruturais.

 

Segundo a avaliação do FMI, a expectativa para 2010 é de melhoria do desempenho económico, em linha com a recuperação da economia mundial. A taxa de crescimento projectada para 2010 é de 5,5 por cento.

 

Algumas destas previsões apresentadas pelo FMI contrastam com as que, nalgumas vezes, têm sido apresentadas pelo Governo moçambicano.

 

Na semana passada, por exemplo, o Ministro das Finanças, Manuel Chang, apareceu em público para afirmar que, devido à crise, a taxa de crescimento económico baixou para 6,7 porcento em 2008 e o seu executivo projecta taxas de crescimento de 6,1 porcento em 2009 e 6,3 porcento em 2010.

 

Sectores há que consideram que estas revisões em baixa por parte do FMI resultam do facto deste organismo subestimar de forma persistente a capacidade de resistência da economia moçambicana, numa clara tentativa de “atribuir certificado de incompetência” aos economistas nacionais.

 

Félix Fischer esclareceu que a discrepância nas estimativas apresentadas pelo Governo não resultam do facto do FMI subestimar a capacidade de crescimento da economia moçambicana, mas sim devido à publicação tardia de muitos dados estatísticos e outros itens fundamentais para a determinação das previsões, o que faz com que o seu organismo faça estimativas bastante ponderadas e muitas vezes abaixo das previstas pelo Governo. Anunciou que o FMI também se mostra preocupado com esta questão, daí estar prevista para Fevereiro próximo a vinda a Moçambique de uma missão desta instituição que irá trabalhar com as instituições que trabalham nesta área no sentido de se flexibilizar a disponibilidade de alguns indicadores estatísticos nacionais.  

 

Mesmo assim, a nossa fonte disse acreditar que a retoma da actividade económica em 2010  possibilitará às autoridades começar a reverter algumas das políticas temporárias de estímulo fiscal e monetário. “As autoridades reiteram o seu compromisso com a prossecução de uma estratégia de médio prazo de política macroeconómica prudente e reformas estruturais conducentes ao desenvolvimento do sector privado”, referiu Fischer.
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