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Entre Matola e Kendal : Oleoduto operacional dentro de dois anos

Maputo, 20 Set 07 (www.jornalnoticias.co.mz) O oleoduto com uma extensão de 400 quilómetros ligando o Porto da Matola, na província do Maputo, e a cidade sul-africana de Kendal, deverá estar operacional em finais de 2009. Trata-se de um empreendimento que se pretende que venha a minimizar a actual situação de escassez crítica de combustível (gasolina e diesel) na zona de Gauteng (África do Sul). Ainda ontem, em Maputo, teve início o processo de elaboração do respectivo Estudo de Impacto Ambiental (EIA), com uma sessão pública destinada a fornecer informação às partes afectadas e interessadas sobre diversos assuntos ligados às fases de construção, operação e manutenção do empreendimento.

Segundo apurámos, trata-se de um empreendimento orçado em cerca de 600 milhões de dólares, dos quais 243 serão investidos na construção de 64 quilómetros do oleoduto entre a terminal de combustíveis do Porto da Matola e Nelspruit (África do Sul), enquanto que os remanescentes 357 milhões serão para a extensão que ligará as cidades sul-africanas de Nelspruit e Kendal.

A construção do empreendimento está confiada à Petroline SARL, uma empresa detida pela Petromoc, com 40 porcento das acções, e pelas firmas sul-africanas Gigajoule e Woesa, com 15 e 20 porcento, respectivamente, e por um grupo de investidores moçambicanos, que detém 15 porcento. A conduta do oleoduto terá 30 centímetros de diâmetro e terá uma capacidade para transportar anualmente cinco milhões de toneladas de gasóleo, gasolina e petróleo.

De acordo com Eugénio Silva, da Petroline, o oleoduto e as facilidades de armazenamento serão capazes de satisfazer grande parte da demanda na África do Sul através do uso do porto moçambicano. “Esta importação deverá ainda aliviar a pressão na tramitação de combustíveis líquidos nos portos sul-africanos e, ao mesmo tempo, contribuir para a importação de combustíveis para Moçambique e outros países vizinhos. O projecto oferece a oportunidade para uma cooperação e integração regional entre Moçambique e África do Sul, e contribui para um melhoramento da região da SADC, ao mesmo tempo que fortalece a segurança do fornecimento de combustíveis na África do Sul”, disse.

Entretanto, em declarações ao “Notícias”, José Jerónimo, consultor da Impacto - Projectos e Estudos Ambientais, empresa contratada para elaborar o respectivo EIA, disse: “Ainda estamos numa fase inicial. Como é um projecto que antevemos que vai ter muitas implicações socioeconómicas, sabido que vai interferir com muitas instalações, casas, empresas, vias de comunicação, etc., na cidade da Matola, há necessidade de se fazer esta reunião com várias pessoas de diversos sectores, desde ministérios, organizações não-governamentais engajadas nas questões ambientais, autoridades locais, etc., de maneira que sejam informadas sobre o que vai acontecer no seu território e possam, também, de alguma forma, ajudar-nos a melhor definir qual deve ser o caminho a tomar na avaliação ambiental do projecto”.

O “Notícias” apurou ainda que finda a reunião de ontem, a Impacto irá submeter ao Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental (MICOA), até ao final do corrente mês, uma proposta de definição do âmbito do EIA, prevendo-se que até Dezembro próximo se conclua o relatório preliminar. No início de Janeiro de 2008 realizar-se-á a segunda consulta pública, para que em finais do mesmo mês seja entregue o relatório final do EIA ao MICOA.
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