Em áreas de exploração mineira : Concessionários instados a ocuparem o seu lugar - segundo Ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias
Maputo, 03 Dezembro (Jornal Notícias) - Cerca de dez mil pessoas exercem a actividade de garimpo no país, segundo estimativas do Ministério dos Recursos Minerais, que está a instar as empresas concessionárias a ocuparem o seu lugar, como forma de minorar as práticas ilegais que, para além de contribuirem para a pilhagem dos recursos naturais, envolvendo estrangeiros, são um sério atentado ao meio ambiente.
Segundo a Ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias, abordada a propósito pela nossa Reportagem, existem perto de 800 licenças emitidas para a exploração de diversos minérios, entre as quais para o reconhecimento, prospecção e pesquisa e concessões para a exploração e certificados mineiros. De acordo com a nossa fonte, a maioria das empresas está neste momento a fazer a mobilização do equipamento. "Estamos a pressionar os agentes licenciadas para se fazerem ao terreno o mais urgente possível, porque só com empresas legais é possível minimizar o efeito da actividade ilegal. A informação que temos é de que elas estão a fazer a mobilização do equipamento", disse Esperança Bias. Para além do trabalho desenvolvido pelo Ministério dos Recursos Minerais, está-se a contar também com a colaboração da PRM em diferentes províncias, o que já resultou na apreensão de pelo menos 350 quilogramas de corundo encontrado no Guro, e da expulsão de ilegais de Lupiliche, Niassa. "Não tenho mais dados sobre apreensões, porque o relatório está a ser feito, mas este ano conseguimos trazer uma parte significativa do material que tem sido contrabandeado", disse. Para além do Niassa, há ocorrência de garimpo também nas províncias de Nampula, Tete, Manica e Zambézia. Na região de Mutambarico, Manica, já está em processo de instalação uma companhia sul-africana que em princípio deverá explorar as terras aluvionais ali existentes, que são objecto de cobiça por parte de garimpeiros zimbabweanos que ali se haviam instalado. "É prematuro dizer quanto é que deverá ser produzido, porque estão a fazer a instalação de equipamento. O próximo relatório é que vai dar a indicação, mas, em princípio, será de 30 quilos por mês, pelas informações que temos. Só este dado terá que ser confirmado", disse. A par da instalação de empresas licenciadas, está-se a trabalhar também no sentido de o processamento dos minerais ser feito internamente, tanto para o ouro como para outros minérios. "Temos a tantalite na Zambézia, que é pré-processada, mas a nossa meta é ter aqui dentro unidades de processamento para os diversos minérios", acrescentou. Outra opção para o controlo da actividade de garimpo, consiste na realização de feiras, que é uma forma "de conseguirmos captar o máximo daquilo que é produzido em Moçambique. Temos o Fundo de Fomento Mineiro, que compra ouro em Manica, no Niassa e deveria comprar também em Tete. Temos também empresas licenciadas para a comercialização de minerais. No primeiro semestre deste ano, foram adquiridos 30 quilogramas de ouro", finalizou a Ministra.

