PM ordena resgate coercivo no Zambeze
Maputo, 8 Fev 2007 (www.jornalnoticias.co.mz) A Primeira Ministra, Luisa Diogo, ordenou ontem em Caia, província de Sofala, ao Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE) a utilização do contingente da Força de Defesa e Segurança, posicionado no terreno, para resgatar compulsivamente as pessoas sitiadas em Moto, Ruzenda e Nhane, ao longo do vale do Zambeze. A mesma situação regista-se neste momento no distrito de Tambara, província de Manica, onde se reporta a ocorrência de casos de pessoas empoleiradas nas árvores em consequência da subida dos caudais deste mesmo curso de água.
No que respeita a situação da província de Sofala, a Governante reagiu assim depois de receber o informe do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), segundo o qual mais de 2.500 pessoas teimam em abandonar aquelas ilhas apesar de estarem completamente inundadas.
Sobre o assunto, Lucas Renço, administrador de Caia, revelou que devido ao aumento do caudal daquele curso de água algumas vítimas começaram ontem a abandonar aqueles lugares de risco, estando algumas albergadas no centro de acomodação de DAF, acontecendo o mesmo em Nhambalo, onde a Primeira Ministra ficou informada do regresso de três famílias.
Segundo Luísa Diogo, as cheias regitadas este ano no Zambeze poderão ser as piores comparativamente as de 2001.
“Hoje a barragem Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) está a descarregar 6.600 e até sexta-feira vai aumentar para oito mil metros cúbicos por segundo”, elucidou, sublinhando que devem ser identificados centros de acomodação viáveis e os tremidos devem ser esquecidos, como Malingapansi, que se situa numa zona pantanosa.
“Agora não vale a pena estar à espera. Devemos retirar todas as pessoas em risco de vida priorizando principalmente as ilhas e as zonas ribeirinhas. Malingapansi, em Marromeu, está totalmente isolado, por isso, é bom ser considerado apenas como centro de trânsito e não de acomodação”- reafirmou.
Recuando no tempo e no espaço, disse ainda que há seis anos atrás a HCB fez descargas na ordem de mil metros cúbicos por segundo, mas agora aquele empreendimento está descarregar seis mil metros cúbicos por segundo.
Trabalho preventivo
“A HCB é um empreendimento que merece segurança mas a sua albufeira está a receber muita água em face das chuvas abundantes que se registam na Zâmbia, Zimbabwe e Malawi. Assim, temos que fazer um trabalho preventivo, sendo que as autoridades locais devem continuar a mobilizar a populaçào a abandonar as zonas de risco”.
Luisa Diogo revelou que o Conselho de Ministros decidiu que as acções preventivas devem arrancar imediatamente. Entretanto, anotou ser necessário apoiar estas operações com vista a reduzir danos materiais e a evitar a perda de vidas humanas.
Depois de ter sobrevoado o baixo Zambeze, a Primeira Ministra concluiu que, de facto, a situação tende a piorar. Tendo considerado que enquanto não houver uma situação de emergência as pessoas vão entrando para os centros de acomodação, dai que deve ser preparada a logística, o saneamento e a abertura de furos de água potável.
“Por enquanto o trabalho de prontidão está bom. Não podemos declarar emergência porque o desatre ainda não aconteceu. O que fizemos é lançar o alerta vermelho sobre o Zambeze”, disse.
“A situação vai agravar se muito rapidamente porque as chuvas continuam a fustigar a zona centro”, anotou.
No sobrevoo efectuado na tarde de ontem, o “Notícias” constatou que o acesso sul da ponte Dona Ana sobre o Zambeze, entre Sena, em Sofala, e Mutarara, em Tete, está já completamente submerso, tornando-se assim intransitável.
Em Chiramba, a residência do respectivo Chefe do posto administrativo estava apenas a 30 centímetros de estar submerso. Em Tambara, algumas pessoas que pernoitaram na última terça-feira em cima das árvores já se retiraram para lugares seguros.
O Ministro da Administração Estatal, Lucas Chomera, disse ao “Notícias”, depois do referido sobrevoo, que o que acabava de observar era um cíclo vicioso no vale do Zambeze porque, na sua óptica, há muita água e grande aquecimento, o que pela evaporação implica mais chuvas.
“Espero que muita gente tenha saido porque o perigo está à espreita. Se se confirmar o que nós receiamos, com chuvas persistentes e aumento de descargas da HCB e se a população não se retirar, o perigo vai ser maior”, referiu.
De uma forma geral, Chomera concluiu que há zonas totalmente alagadas fora das margens do grande Zambeze por exemplo, em Tambara, Chiramba e Chemba cujas regiões começaram a receber o pico de 4.400 metros cúbicos por segundo libertados no domingo passado pela HCB.
O director nacional adjunto do INGC, João Ribeiro, disse à Primeira Ministra que a sua instituição está preparada para enfrentar as cheias do Zambeze contando com meios logisticos, embarcações a motor fora de bordo, combustivel e recursos humanos posicionados em Caia. Lamentou, entretanto, a fraca coordenaçào intersectorial ao nível das quatro províncias do centro do país, avançando ainda assim a necessidade de se afectar um oficial superior das FADM para coordenar as operação no terreno.

