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Governo moçambicano descarta apelo de emergência para fazer face às cheias

Caia (Moçambique), 27 Fev 07 (AIM) - O Governo moçambicano manifesta apreço a ajuda internacional no seu esforço para mitigar os efeitos das cheias na região do Vale do Zambeze, mas que, por enquanto, não tenciona lançar um apelo de emergência.

 

Esta foi a mensagem do Presidente da República, Armando Guebuza, que na segunda-feira visitou quatro centros de acomodação nas quatro províncias afectadas pelas cheias ao longo da bacia do rio Zambeze.

Falando à imprensa em Caia, distrito onde o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) está a coordenar as suas operações de resgate e de alívio das vítimas das cheias, Guebuza disse que os esforços feitos pelas autoridades moçambicanas, com a assistência dos parceiros estrangeiros, “estão no bom caminho”.

O Chefe do Estado saudou a solidariedade de outros moçambicanos com os seus compatriotas nas áreas atingidas pelas cheias e disse esperar que “a situação venha a ser sanada o mais rapidamente possível”.

Questionado se o seu Executivo iria lançar um apelo internacional para solicitar mais apoios, Guebuza disse que, “primeiro, seria bom olhar para os esforços que estão sendo feitos pelo Governo e pela comunidade internacional e verficarmos o que é que precisamos mais”.

“As organizações estrangeiras juntaram-se aos esforços dos moçambicanos”, disse Guebuza, acrescentando que “nós estamos sempre em contacto e, por isso, se precisarmos de mais alguma coisa podemos pedir mais”.

Contudo, Guebuza descartou a hipótese de lançar formalmente um apelo internacional, explicando que “não é o apelo que vai mudar a situação”.

Guebuza visitou os centros para os deslocados das cheias nos distritos de Tambara (província de Manica), Mutarara (Tete), Mopeia (Zambézia) e Marromeu (Sofala).

Em todos os locais visitados, nas margens do Zambeze, Guebuza teve a oportunidade de verificar que os mesmos estão bem organizados, com filas de tendas para acomodar os deslocados, postos de saúde, provisão para que as crianças possam prosseguir com os seus estudos, água potável, sistemas de distribuição de alimentos e de outros produtos básicos.

Da parte de alguns representantes das vítimas das cheias, Guebuza ouviu algumas queixas sobre a quantidade de comida que não é suficiente. Em resposta, os respresentantes do INGC no terreno explicaram que este problema deve-se, em grande medida, a dificuldades logísticas, pois as chuvas tornaram inacessíveis algumas regiões por via rodoviária, razão pela qual existe a necessidade do uso de barcos e helicópteros para o transporte de comida.

Em todos os centros foram construídas latrinas, num esforço para prevenir a eclosão de surtos de cólera e outras doenças diarreicas. Em todas as regiões, Guebuza, dirigindo-se as vítimas das cheias, disse estar a trazer a solidariedade de outros moçambicanos.

“Todos os moçambicanos estão preocupados com aquilo que está a acontecer ao longo do Zambeze”, disse Guebuza a população no centro de acomodação de Chigota, em Tambara.

“Porque é que o povo moçambicano está preocupado? Estão preocuopados porque são vossos irmãos e vocês são irmãos de outros moçambicanos”, explicou Guebuza.

Esta foi a mesma mensagem proferida no centro de Kassambala, em Mutarara. “Todos os moçambicanos estão a chorar por vocês”, disse Guebuza na ocasião.

“Quando vocês sofrem, eles também sofrem. Por isso, eles estão a juntar aquilo que tem para enviar como solidariedade para os seus irmãos no Vale do Zambeze”, acrescentou.

Para Guebuza, uma das formas mais práticas de evitar a repetição desta situação é clara; as pessoas deveriam evitar construir as suas residências nas regiões susceptíveis e vulneráveis às cheias.

Em todos os centros de acomodação, Guebuza explicou que, apesar de ser imperativo que os camponeses tenham as suas machambas nas terras mais férteis nas ilhas do rio, bem como ao longo das suas margens, eles deveriam construir as suas casas nas regiões mais seguras.

“Construam as vossas casas em lugares seguros, para que o mesmo desastre não volte a acontecer no próximo ano”, apelou Guebuza. No maior centro de acomodação de Chupanga, em Marromeu, Guebuza criticou aqueles que haviam ignorado os apelos das autoridades para abandonar as regiões baixas, quando o rio estava a subir, para depois acabarem sendo cercados pela água.

“Quando as autoridades dizem para sair porque a água vai chegar, é porque a água vai mesmo chegar”, disse Guebuza, explicando que o “o Governo não quer ver o seu povo sofrer”. Por seu turno, os porta-vozes das vítimas das cheias prometeram que, de facto, vão começar a construir as suas casas nas zonas mais seguras.

Contudo, esta não é a primeira vez que ocorrem cheias nas margens do Rio Zambeze, e também não é a primeira vez que o Governo lança um apelo para que as populações deixem de construir as suas residências nas zonas baixas.

Estas terras vão continuar a constituir uma grande tentação para os camponses, logo que as cheias se dissiparem, para mais uma vez se reassentarem nas proximidades das suas machambas na terras férteis junto ao rio.

 

 

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