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Causada pelas calamidades : Governo decreta fim da emergência

Maputo, 16 Abril 07 (www.jornalnoticias.co.mz) - O Director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), Paulo Zucula, anunciou sexta-feira o fim da fase de emergência para as vítimas das inundações no Vale do Zambeze, do ciclone “Fávio” e das explosões do paiol militar de Mahlazine, para dar lugar à reconstrução.

Falando numa conferência de imprensa em Maputo, Zucula disse que o Centro Nacional de Operações de Emergência (CENOE) vai passar a funcionar como um centro logístico, devendo os antigos centros de acomodação passar a funcionar como locais de reassentamento geridos directamente pelos governos provinciais.

Segundo Zucula, até Maio próximo o INGC vai entregar a cada família afectada o último “kit” de produtos alimentares, incluindo enxadas, catanas, sementes e outros materiais destinados a relançar a produção agrícola. A ideia, segundo Paulo Zucula, é criar condições para que os camponeses passem a produzir para o seu sustento, para, em Junho, passar-se à fase de comida pelo trabalho.

”As pessoas têm que deixar de depender e passar a produzir. A etapa de comida pelo trabalho permitirá a abertura de vias de acesso, construção de fontes de água e várias outras infra-estruturas sociais necessárias para a normalização da vida nas comunidades afectadas”, afirmou.

Zucula acrescentou que, contrariamente ao que aconteceu em 2001, as pessoas acataram os apelos no sentido de não regressarem às zonas de risco, e neste momento estão à espera do reassentamento.
“E, porque na sua maioria os actuais centros de acomodação foram, no passado, lugares de reassentamento, só será necessário parcelar e atribuir os terrenos”, disse.

De acordo com director do INGC, actualmente continuam nos centros pelo menos 107 mil pessoas, das quais cerca de 55 mil saíram directamente das zonas de risco onde residiam para os centros de reassentamento.
Para as vitimas das explosões do paiol de Malhazine, na cidade de Maputo, Zucula disse que são 1300 as casas que sofreram danos, das quais setenta porcento foram atingidas parcialmente, seis porcento destruídas na totalidade e as restantes foram atingidas gravemente.

Segundo Zucula, as obras vão custar mais de nove milhões de dólares, e o Governo assume a responsabilidade de construir todas as casas, embora algumas vítimas prefiram receber as casas prontas, enquanto outras optam por receber material de construção.
Para a implementação do plano de reconstrução e reinserção social, o Governo criou um gabinete que entra no activo na próxima semana, integrando representantes dos afectados. Caberá a este gabinete analisar e decidir sobre todos os aspectos inerentes ao processo.

As obras serão executadas com recursos do Ministério da Defesa Nacional (MDN), Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), funcionários do Estado, entre outros parceiros.

As explosões do paiol de Mahlazine, que ocorreram a 22 de Março, mataram mais de 100 pessoas, feriram mais de 500, algumas com gravidade. Também destruíram várias infra-estruturas sociais e económicas.

Antes desta tragédia, Moçambique foi assolado por cheias, com particular incidência ao  longo do Vale do rio Zambeze, e pelo ciclone “Fávio”, que devastou sobretudo o distrito de Vilankulo, na província de Inhambane.

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