Semanário sugere paragem da inspecção de viaturas
MAPUTO, 14 MAR (AIM) – O semanário “Domingo” desta semana sugere, em editorial, uma paragem da inspecção obrigatoria de viaturas, em curso em Moçambique desde o dia Um do passado mês de Fevereiro, para se procurar formas que vão de acordo com os actuais níveis de desenvolvimento do país.
Segundo a fonte, nada há pior num Estado de Direito que impor normas sem possibilidade real de execução.
Por outro lado, segundo a fonte, as inspecções são realizadas com meios electrónicos sofisticados em acção no mundo desenvolvido, quando as reparações têm, por forca das circunstâncias, de ser feitas em oficinas de “vão de escada ou debaixo de um cajueiro”.
Não obstante o jornal não ser contrário a necessidade da inspecção de viaturas, já que o seu mau estado funcional contribui para inúmeros acidentes, defende que se devia parar a fim de se rever todo o processo, a menos que se admita colocar fora da circulação mais de metade do parque automóvel existente no país, que se estima seja de 300 mil.
Fora disso, segundo o mesmo semanário, não parece ser politica de desenvolvimento saudável usar critérios do Primeiro Mundo, apenas neste sector, politica essa completamente alheia as circunstâncias da “nossa vivência”.
A fonte refere que um raciocínio por via lógica remeteria os decisores a aplicar os mesmos critérios aos excessos de velocidade e as taxas de alcoolemia, por exemplo.
E o mesmo se diga as vias de circulação, já que uma boa parte delas deveria, seguindo esta mesma linha de raciocínio, ser fechada ao trânsito, pois o seu estado de deterioração rebenta com os carros em poucos dias, sem que o Estado mocambicano seja responsabilizado.
O jornal faz ainda uma analise no que tange ao transporte semi-colectivo, vulgo ‘chapas’, que na ânsia do lucro passam por cima de tudo, aparecendo como parte integrante dos mais penalizados por esta medida, apesar de ser indiscutível o papel que os mesmos ‘chapas’ jogam no transporte dos passageiros.
O 'Domingo' classifica os chapeiros como autênticos heróis na luta pelo transporte das pessoas desde os lugares quase inacessíveis, onde o transporte público não chega e que nem tão cedo chegará.
“O tema é por demais relevante e trata-lo de animo leve pode trazer, mais tarde ou mais cedo, consequências catastróficas, cujo remédio terá de ser aplicado a laia de bombeiro”, diz o Editorial do “Domingo”, concluindo que é imperioso agir enquanto é tempo, afim de se evitar o pior.
Esta semana, a liderança da Federação dos Transportadores Rodoviários
(FEMATRO) queixou-se, num encontro de reflexão sobre esta matéria, do excesso de parâmetros, rigidez na avaliação e da ocorrência de actos de corrupção no acto da inspecção.
Na ocasião, a FEMATRO referiu que os parâmetros de inspecção foram elaborados não tendo em conta a realidade do país, principalmente no tocante ao estado das vias de acesso, provimento de peças sobressalentes de qualidade e o poder de compra dos moçambicanos.

