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Consumo de álcool nas escolas preocupa sector da educação

Consumo de álcool nas escolas preocupa sector da educação

O Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, Jorge Ferrão defende que o combate ao consumo excessivo do álcool por parte dos adolescentes e jovens nas escolas deve envolver todas as forças vivas da sociedade civil, com particular destaque para pais e encarregados, professores e gestores escolares.

O apelo foi aquando do lançamento do projecto “smahsed” (quebrados) que visa despertar os riscos sobre o consumo de álcool na menor idade no seio da camada estudantil na faixa dos 12 aos 13 anos.

A iniciativa promovida pela DIAGEO em parceria com o Ministério da Educação e Desenvolvimento da Humano (MINEDH) e o Consulado Britânico em Moçambique, pretende divulgar mensagens educativas por meio de peças teatrais nas escolas onde serão abordados os impactos negativos do consumo de bebidas alcoólicas.

No seu discurso o ministro da educação disse que os actuais níveis de consumo de álcool são preocupantes pois para além de criar sérios riscos a saúde dos alunos, estão a comprometer o seu aproveitamento pedagógico.

“O álcool, o HIV, o tabaco e outras drogas são males sociais que e ameaçam destruir a juventude de numerosos alunos pelo país, e isto é um chamamento a união de todas as forças vivas da sociedade para que possamos enfrentar e erradicar estes males de modo proteger as gerações vindouras destes perigos ” alertou o ministro.

Falando da exposição que os alunos encontram pelo facto de algumas escolas estarem próximas de mercados informais onde se vendem bebidas alcoólicas, Jorge Ferrão pediu uma maior responsabilidade por parte dos agentes informais, chamando estes a serem parceiros do Ministério da educação na erradicação do fenómeno.

“Naturalmente que nós temos barracas em volta das nossas escolas, nos espaços que foram tomados pelo comercio informal. Respeitamos as pessoas que exercem o comércio informal, mas gostaríamos de com eles fazer um pacto e apelar que somente vendam o álcool a maiores de 18 anos e não as crianças, pois a nossa área de jurisdição é até o limite da própria escola” exortou.

Moçambique é o primeiro país africano a acolher esta iniciativa que surgiu no Reino Unido há sensivelmente 11 anos, tendo já escalado diversos países como a Irlanda, Vietname, Jamaica, entre outros. Na primeira fase o projecto vai abranger 45.000 alunos de 30 escolas do Distrito de Marracuene, onde actores profissionais da Escola de Comunicação e Artes (ECA) vão escalar duas escolas por dia. 

EMANUEL IMPISSA, ADMINISTRADOR DO RIBÁUÈ: GESTOR ESCOLAR DEVE INFLUENCIAR QUALIDADE

O gestor da escola deve assumir liderança do processo de construção de uma educação de qualidade e chamar de si a visão de transformar as dificuldades em desafios possíveis de ultrapassar.

A tese foi defendida há dias por Emanuel Impissa, administrador do distrito de Ribáuè, província de Nampula, no acto da entrega de cinquenta telefones móveis celulares para igual número de presidentes de conselhos de escola, no âmbito da potenciação da sociedade civil para contribuir no controlo da assiduidade do professor.

A iniciativa de capacitação da sociedade civil e no caso concreto da comunidade escolar para controlar a assiduidade do professor, um dos factores que, segundo estudos, concorre para a falta de habilidades para leitura e escrita por parte dos alunos que frequentam o nível básico, é promovida pela Unidade de Apoio Técnico para Alfabetização Funcional(UATAF), parceiro do sector de Educação e Desenvolvimento Humano nas províncias de Nampula e Zambézia.

Na mesma cerimónia Emanuel Impissa apelou os gestores das escolas e das zonas de influência pedagógica (ZIP) para que adoptem comportamentos que possam ser seguidos ao nível das comunidades onde se encontram inseridos, na escola.

Lembrou que o desempenho da escola nos domínios pedagógico e administrativo espelham o carácter do respectivo gestor, ou seja quando os resultados da administração escolar são positivos os louvores devem ser reconhecidos ao líder do processo como também no caso inverso.

“Há gestores de escolas que permitem o registo de situações anárquicas sendo uma delas e que tem vindo a ganhar espaço que se consubstancia com pedido de um professor ao seu colega para leccionar a sua turma por um período mínimo de uma semana enquanto se desloca à cidade capital provincial para alegadamente efectuar operações junto a banca quando na verdade ele se encontra num convívio com a família e amigos”, referiu aquele dirigente.

Aconselhou, para situações similares, que a denúncia da comunidade seja feita através do presidente do conselho de escola, reforçando que só desta forma é que se pode pensar que está havendo contribuição para eliminar um dos factores que concorrem para a fraca qualidade do ensino.

A UATAF também procedeu a entrega de um telefone móvel celular ao administrador de Ribáuè como tem sido apanágio nos distritos da sua intervenção no âmbito do projecto fortalecimento de capacidades dos conselhos de escola para um desenvolvimento organizacional sustentável.

O momento foi igualmente aproveitado para promover concursos de leitura envolvendo crianças que frequentam o ensino básico naquele ponto sendo que os melhores receberam telefones celulares como recompensa, para se comunicarem com os seus pais e encarregados de educação.

Aquela organização da sociedade civil e parceira do governo nos programas da educação opera ao nível da província de Nampula nos distritos de Eráti, Muecate, Nacaroa e Ribáuè.

A sua principal fonte de financiamento é a agência norte americana para o desenvolvimento internacional.(USAID).

Fonte: Jornal Notícias