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Cooperação Moçambique urge avançar para âmbito económico

Cooperação Moçambique urge avançar para âmbito económico

O Presidente da República, Filipe Nyusi, considerou de excelentes as relações político-diplomáticas existentes, de há longa data, entre Moçambique e Cuba, mas defendeu a necessidade destas avançarem rapidamente para âmbito económico.

O Chefe do Estado moçambicano falava Sábado, em Havana, a capital de Cuba, durante o encontro que manteve com membros das missões diplomáticas africanas acreditadas neste país.
'O nosso grande objectivo é reforçarmos e reafirmarmos as nossas relações de amizade e cooperação. Esta é a primeira visita que faço como Chefe de Estado. Mesmo assim, a última visita realizada por um Chefe de Estado foi em 2008. Este intervalo todo justificava a nossa vinda para podermos, mais uma vez, reaviver e trazer aquele calor das nossas relações com este pais', disse .
“Historicamente, Cuba e Moçambique estão ligados em momentos muito difíceis. Momentos da libertação, neste caso contrecto do nosso lado”, disse Nyusi, recordando que logo depois da independência de Moçambique registou-se a fuga massiva de quadros que serviram o sistema colonial.
“Fugiram professores, fugiram médicos, fugiram funcionários básicos, juízes, entre outros”, afirmou o estadista moçambicano.
Face a esta situação, segundo Nyusi, era importante criar condições para que Moçambique pudesse existir e Cuba foi o país que ajudou na formação do homem.
“Milhares de jovens moçambicanos vieram aqui, estudaram aqui, alguns estão aqui como ministros, vice-ministros, conselheiros, mas, em Moçambique, estão em grande parte no sector empresarial e público”, referiu..
“Isto para dizer que o nosso relacionamento com este país é natural. Os valores da soberania sempre foram respeitados e Cuba esteve connosco em todos os momentos, a partir das primeiras lideranças deste país”, disse..
Como forma de valorizar e capitalizar este relacionamento natural entre os dois países e povos, Nyusi defende que, no contexto actual, se avance para uma cooperação económica mais visível e, sempre unidos, possamos lutar pela prosperidade e desenvolvimento.
Depois de recordar que a ultima visita de um chefe de Estado foi em 2008, Nyusi disse ter vindo a Cuba parar reviver esse momento histórico das relações político-diplomáticas, mas, desta feita, concentrando-se também na área económica.
“Por isso, estamos aqui. Escolhemos trabalhos de caracter social, mas também de caracter económico. Estamos bem em termos de relacionamento politico e diplomático, mas interessa, pois, a nós agora, transformarmos isso em actividade comercial, económica, e temos vindo a fazer com muitos países da região da SADC, da África em geral e também com todo o mundo”, afirmou.
Falando sobre a situação politica na região, Nyusi informou aos diplomatas sobre os esforços que foram sendo feitos nos últimos anos em alguns países para a sua estabilização.
Apontou, a titulo de exemplo, o Lesotho, pais da SADC que acaba de realizar eleições, no seguimento de um longo processo levado a cabo na região para acabar com os desentendimentos, no qual Moçambique acompanhou directamente quando presidia Troika.
“Esperamos que a situação volte a ser calma depois destas eleições. Que nao haja de novo mais uma confusao. Mas temos estado a seguir com toda a cautela”, assegurou.
Para além do Lesotho, Nyusi falou também dos esforços que foram sendo levados a cabo na região para a estabilização da República Democrática do Congo (RDC) e Madagáscar. “Tudo tem estado a ser feito em todos os fóruns para que os conflitos se resolvam por via de diálogo'.
No caso concreto de Moçambique, o estadista reconheceu haver muitos desafios, um dos quais sobre a estabilidade política, explicando porem os passos ora em curso para uma paz definitiva no país.
“Tivemos momentos difíceis por causa daquela cultura que, as vezes, queremos promover no nosso continente. Quando as pessoas perdem eleições não sabem dizer parabéns e criam perturbações internas que não ajudam em nada para a nossa democracia”, explicou Nyusi, numa referência ao recente conflito armado que começou logo depois das eleições gerais de 2014 e que, actualmente, está numa fase de trégua indefinida.
Mas, mesmo nessa altura, segundo Nyusi, o pais nunca chegou a parar. “Em nenhum momento não funcionou o país. As instituições todas funcionam: a legislação, o executivo, o parlamento, o judicial, todas estas estão a funcionar”, afirmou.
No plano económico, o Presidente informou aos diplomatas que Moçambique vem enfrentando algumas dificuldades causadas pela baixa de preços no mercado dos principais produtos de exportação, a crise financeira mundial, desvalorização da moeda nacional (o Metical) face ao dólar norte-americano, as calamidades e problemas internos ligados à gestão da divida .
“Esses factores, adicionado com a situação da instabilidade político-militar, não ajudaram para o crescimento que vínhamos observando em termos do Produto Interno Bruto (PIB)', disse.
Contudo, disse haver boas expectativas para o crescimento da economia. “No ano passado paramos nos 3.6 por cento e, este ano, tudo indica que o crescimento deverá situar-se acima dos 4.5 por cento ou mais”, disse Nyusi, acrescentando que se regista, ainda, a estabilidade financeira, a apreciação do Metical e redução da inflação.
Este encontro antecedeu as conversações oficiais entre as delegações de Moçambique e Cuba, chefiadas pelos respectivos Presidentes. Este último acto teve lugar na sede do Conselho de Estado. Apos as conversações, Nyusi reuniu-se com a comunidade moçambicana residente neste pais latino-americano.
O Presidente da República visitou museus e obras de arte do património histórico cubano na cidade velha, uma fábrica de produtos bioquímicos e a Universidade de Ciências de Informática.
(AIM)