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Fábricas passam a fortificar açúcar moçambicano

Fábricas passam a fortificar açúcar moçambicano

Moçambique passa a partir da presente campanha de produção, a consumir açúcar com adição da vitamina "A", no quadro do programa de fortificação de alimentos promovido pelo Ministério da Indústria e Comércio, iniciado com as farinhas de milho e trigo, bem como óleo alimentar.

A campanha de vitaminação foi lançada esta quinta-feira na Açucareira de Moçambique (AM), em Mafambisse, na província central de Sofala. Mas o processo contempla as outras três indústrias nacionais, designadamente a Companhia de Sena, em Marromeu (no centro do país), e as açucareiras da Maragra e Xinavane, na província meridional de Maputo.

O Diário de Moçambique soube que ao açúcar serão adicionadas pequenas quantidades de vitaminas e nutrientes, com o propósito de reduzir substancialmente a desnutrição crónica, sobretudo em crianças com menos cinco anos de idade.
A cerimónia do lançamento da fortificação do açúcar na AM foi liderada pelo ministro da Indústria e Comércio, Max Tonela, com a presença dos representantes da Associação dos Produtores de Açúcar (APAMO), Programa Mundial de Alimentação (PMA), entre outros convidados.
Falando a jornalistas após descerrar a placa indicativa do lançamento do programa, Max Tonela explicou que os dados referentes a 2013 apontam que 43 por cento das crianças moçambicanas, com menos de cinco anos, padecem de desnutrição crónica, daí que, para reverter este cenário, foi desenhado este projecto multissectorial envolvendo a Saúde, Educação, Acção Social, Indústria e Comércio.
O Governo comprometeu-se a reduzir os níveis de desnutrição de 43 por cento para pelo menos 35 por cento, esperando que o programa de fortificação de alimentos assegure que alguns veículos alimentares consumidos em massa no país sejam disponibilizados à população com inclusão de micronutrientes, visando assegurar um desenvolvimento são da população explicou Tonela.
Ele recordou que o processo de adição da vitamina “A” já é feito na farinha de trigo, aléo alimentar e farinha de milho produzidos nas maiores indústrias do país.
O ministro disse esperar que, pelo facto de o açúcar ser um produto consumido em massa, cerca de 13 milhões de moçambicanos passem a consumi-lo vitaminado.
No ano passado, o Governo aprovou uma legislação que torna obrigatória a adição de nutrientes no conjunto de veículos alimentares acima mencionados. A obrigatoriedade de adição abrange a partir deste ano da farinha de milho e de trigo, açúcar e aléo alimentar importados. O objectivo é assegurar que os níveis de desnutrição crónica em Moçambique sejam reduzidos ao mínimo possível, afirmou o ministro.
Questionado sobre se o açúcar a ser exportado deverá conter nutrientes, Tonela respondeu que a adição depende dos requisitos dos importadores. Mas, em muitos países do mundo, tornou-se obrigatório fortificar alimentos e, em África, o número tem estado a crescer.
A capacidade instalada de produção de açúcar no país é de meio milhão de toneladas. Porém, na actualidade, o processamento ronda 480 mil toneladas ano. A Açucareira de Moçambique, em Mafambisse, produziu ano passado 50 mil toneladas contra 90 da aptidão.
(AIM)