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Greve condiciona travessia Maputo - ka tembe

Greve condiciona travessia Maputo - ka tembe

Trabalhadores da empresa pública Transmarítima, a nível da cidade de Maputo, paralisaram as suas actividades na manhã de hoje, reivindicando o pagamento do 13º salário referente ao ano de 2016.

Os trabalhadores, que se amotinaram nas primeiras horas de hoje, dentro da única embarcação da empresa, também exigem a demissão do Conselho de Administração assim como a canalização ao Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) dos descontos referentes as suas pensões de reforma e invalidez.

À entrada do cais, dísticos fixados nos portões deixavam bem patente as exigências que os trabalhadores já vêm fazendo junto à direcção da empresa.
“Abaixo salários altos do Conselho de Administração. Abaixo o atraso na canalização dos salários. Abaixo a má gestão do Conselho Administrativo”, lê-se.
Falando à AIM, um trabalhador da empresa que se identificou pelo nome de Aurélio explicou que as reivindicações já vêm sendo feitas desde 2009 mas, infelizmente, não se registam avanços.
“Nem água vai e nem água vem. Há problemas que já vêm desde 2009 e estamos a negociar sem sucesso”, explicou, afirmando que apenas iriam retomar as actividades depois do pagamento do valor que lhes é devido.
Por seu turno, o Presidente do Conselho de Administração (PCA), Jafar Ruby, disse que a empresa está ainda a negociar com os trabalhadores com vista a encontrar um meio-termo e ultrapassar o problema.
“As pessoas querem o décimo terceiro salário, mas as empresas foram instruídas para pagarem apenas quando tiverem balanço positivo. Não nos recusamos a pagar, apenas vamos pagar quando houver condições. Há problemas financeiros que como vocês sabem afectam todo o país”, disse.
Ruby explicou que a tarifa do ferryboat é de cinco meticais e que um litro de combustível custa 50 meticais (um dólar equivale a cerca de 61 meticais ao câmbio corrente. 
Por isso, questiona “quantos passageiros são necessários para comprar um litro? Mais de dez. E no final temos 230 trabalhadores a nível de todo o país e os custos para a manutenção deste navio não são fáceis.”
Na cidade de Maputo a empresa conta com 141 trabalhadores. A embarcação Mpfumo tem a capacidade para transportar cerca de 200 pessoas. Enquanto os trabalhadores não retomam as actividades, as pessoas estão sendo transportadas através de barcos privados de Mapapai (três embarcações) e uma da Boa-Viagem, com capacidade, todas elas de transportar cerca de 100 pessoas.
“Sou o primeiro na fila. Infelizmente, não poderei atravessar. Espero que a empresa se entenda com os funcionários e voltem a trabalhar, pois precisamos, todos, ir até lá para trabalhar”, disse Armando, um automobilista que não conseguiu atravessar com a sua viatura para o distrito municipal da Ka Tembe, do outro lado da Baia de Maputo.
Entretanto, uma nota do Ministério do Trabalho Emprego e Segurança Social emitido no fim da manhã desta terça-feira anuncia que as partes chegaram a um consenso e, por isso, os trabalhadores retomaram as suas actividades.
“Acabamos de conseguir um acordo aqui na Transmaritima e a travessia de passageiros e viaturas foi reatada as 12h00”, lê-se na nota.
(AIM)