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Moçambique interessado em alargar áreas de cooperação com Cuba

Moçambique interessado em alargar áreas de cooperação com Cuba

O Governo admite a possibilidade de alargar o campo de cooperação com Cuba na área da saúde, explorando o conhecimento científico e a experiência deste país neste sector reconhecidos internacionalmente.

A Ministra da Saúde, Nazira Abdula, que integra a delegação do Presidente da República, Filipe Nyusi, de visita a este país latino, destacou que a cooperação médica cubana é de longa data e, neste momento, trabalham nas diferentes unidades sanitárias moçambicanas 275 médicos cubanos.
Nazira Abdula fez este pronunciamento durante a visita que o Chefe de Estado fez ao Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia, onde recebeu explicações sobre o tipo de serviços a que se dedica esta instituição de pesquisa, incluindo a produção de vacinas e medicamentos para o tratamento de diversas enfermidades, como lesões associadas às diabetes e alguns tipos de câncer.
“Depois desta visita ao Centro de Biotecnologia, penso que podemos usar o conhecimento que os cientistas cubanos possuem para ver como podemos implementar em Moçambique, incluindo alguns produtos que eles fazem e que já estão certificados internacionalmente, fazermos uma selecção e ver como é que eles podem estar acessíveis no nosso país”, disse a Ministra, falando a jornalistas moçambicanos.
Apontou, a título de exemplo, o caso do medicamento desenvolvido nesta unidade de pesquisa para tratar o pé diabético, “porque sabemos que esta doença cria úlceras que são muito difíceis de curar e eles puderam demonstrar que este tratamento é eficaz e já está reconhecido e certificado internacionalmente”.
Para além deste medicamento, a governante manifestou, ainda, o interesse do governo nas várias vacinas produzidas pelo centro, de reputação mundial.
“Com esta visita, podemos alargar o nosso campo de colaboração e não ficar apenas na colaboração médica em que eles vem ao nosso país para nos ajudar na formação e assistência médica, mas também podemos alargar este campo de cooperação para as outras áreas, especificamente para este capítulo dos medicamentos”, admitiu.
“Estamos prontos para recebe-los e ver o que eles têm e que pode ser aproveitado já de imediato para usarmos no nosso país”, acrescentou Nazira. 
A Ministra recordou que o perfil epidemiológico dos dois países é diferente e, durante as explicações feitas durante a visita ao Centro, os cientistas mostraram que as doenças infectocontagiosas já não são um problema de saúde pública em Cuba, mas que o problema está nas doenças não transmissíveis.
“Portanto, é preciso analisarmos juntos e seleccionarmos as áreas em que já, de imediato, podemos começar a aproveitar com base na experiência que eles já têm porque são bons exemplos”, frisou 
No quadro da prevenção e promoção da saúde pública, Nazira afirmou que Moçambique tem estado a abordar a questão dando prioridade aos cuidados de saúde primários, tal como fizeram os cubanos nos anos em que atingiram a revolução.
“É uma área que nós vamos poder aproveitar os conhecimentos deles, uma vez que já existem resultados, não é algo de novo. E sempre tivemos a colaboração do povo cubano para apoiar no domínio da saúde, que apoia também nos outros sectores”, referiu.
Em relação a indústria farmacêutica, Nazira Abdula disse que Moçambique já possui uma empresa que produz soros e há muito interesse do sector privado em montar indústrias produtoras de medicamentos e o que o Governo está a fazer é criar as condições e facilidades.
“Vamos trabalhar com eles para ver como eles conseguiram manter as empresas no serviço público. É difícil dizer que vamos levar este modelo para o nosso país”, disse.
Ainda no primeiro dia, o Presidente da República visitou o Memorial Jose Marti, onde rendeu homenagem a este herói do povo cubano.
Este sábado, estão previstas conversações oficiais entre os governos moçambicano e cubano,entre outras actividades.
(AIM)