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Nyusi e pai de Dhlakama lançam pombas da paz em Muxúngue

Nyusi e pai de Dhlakama lançam pombas da paz em Muxúngue

O Presidente da República, Filipe Nyusi, juntamente com Macacho Marceta Dhlakama, pai de Afonso Dhlakama, líder da Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, lançaram hoje, na vila de Muxúngue, distrito de Chibabava, duas pombas brancas, num gesto que simboliza a paz, perdão e reconciliação.

No gesto, Macacho Dhlakama ou simplesmente régulo Mangunde como é mais conhecido, entregou ao Chefe de Estado uma pomba branca que a lancou ao ar e, na segunda vez, mais uma pomba, acto aplaudido pelos populares que acorreram ao comicio.

O acto aconteceu no comício havido no posto administrativo de Muxúngue, que dista cerca de 330 quilómetros da cidade da Beira, inserido na visita de trabalho que Filipe Nyusi está a efectuar a província central de Sofala, visando aferir o grau de implementação das acções preconizadas no seu programa de governação.
O posto administrativo de Muxúngue, conhecido pelos óptimos níveis de produção de ananás e castanha de caju, foi, durante o período de hostilidades militares, “teatro de operações” entre as forças de defesa e segurança e a guerrilha da Renamo, que além de crueldade da morte sofreu também a perda de várias propriedades.
Aliás, o troço Save-Muxúngue, com mais de 100 quilómetros de distância, registou repetidos ataques militares, que para além de emboscadas nas viaturas em circulação, foi palco de cenas de pilhagem a semelhança do sucedido, em 2013, no posto de saúde de Zove, onde a guerrilha da força de Dhlakama retirou medicamentos e vandalizou o património da unidade sanitária.
No entanto, dada a necessidade de restaurar a paz e reconciliação, Filipe Nyusi escalou o distrito de Chibabava, terra natal de Afonso Dhlakama, onde a tónica dominante do seu discurso gravitou sobre a necessidade de todos os moçambicanos se empenharem na busca de uma paz efectiva e duradoira.
“A paz faz parte do projecto de criação do bem-estar dos moçambicanos”, disse Nyusi, apontando que a paz significa tranquilidade absoluta, onde as pessoas estão livres de pensar no que acreditam e, acima de tudo, acreditar que a paz é possível em Moçambique.
O encontro com a população de Chibabava é, segundo o estadista moçambicano, abençoado, na medida em que devolve os valores que o clima de instabilidade tinha retirado do tecido social.
“A guerra causou a morte, feriu gente e criou a instabilidade entre nós. As pessoas tinham medo de falar umas com as outras por recear possíveis riscos. A guerra criou o medo, por isso é que quando falamos da paz não falamos apenas o calar das armas, mas também dos medos que tínhamos”, explicou o Presidente.
Nyusi disse, por outro lado, que a paz só é possível onde existe justiça social, porque ela onde não existe haverá sempre um ambiente conturbado e hostil, onde as pessoas se odeiam umas com as outras, tudo porque está ausente o elemento fundamental para a paz.
O estadista moçambicano ouviu e tomou nota das preocupações levantadas pelos residentes de Muxúngue sobre a necessidade de uma escola secundária, que lecciona o grau pré-universitário, a importância de ver asfaltada a estrada que liga o posto administrativo à sede distrital (Chibabava sede), aumento do acesso a água e energia eléctrica aos povoados, fundos para financiar iniciativas dos jovens, entre outras.
Nyusi disse que o programa iniciado em 2015 sofreu um revés que se saldou na descontinuidade das acções que estavam em curso. A economia mundial entrou em recessão, à escala global, cujo reflexo foi a descida dos preços dos bens que o país exporta para o mercado internacional, a seca severa que afectou as regiões centro e sul, mas também as chuvas no norte.
A combinação destes acontecimentos, segundo Nyusi, forçou a interrupção das obras de asfaltagem da estrada Muxúngue à Chibabava sede, que do seu percurso de 44 quilómetros, apenas 12 foram contemplados.
A situação obrigou a que o país usasse outros modelos de alocação dos valores destinados aos programas de desenvolvimento, mas com a paz em consolidação, o país volta a viver uma nova lufada de esperança.
A visita de Filipe Nyusi à província de Sofala termina sábado, dia em que deverá escalar os distritos de Buzi e da Beira.
(AIM)